segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Índia de Sal



A Índia de Sal

Capitulo 1
A sirene da fábrica finalmente tocou, e Carlos apressou-se a desligar o computador e pegou na sua carteira e chaves do carro, desligou as luzes e fechou a porta do seu gabinete. Desceu as escadas para a fábrica e picou o cartão de ponto e saiu em direcção ao seu carro. Sentia-se aliviado por poder ir para casa tomar um duche e relaxar um pouco, antes de ir para o curso sobre programação de tornos e fresadoras CNC. Entrou no seu Hyundai Coupé cinzento, estava uma estufa no seu interior, abriu os vidros e colocou o carro em movimento o mais rápido que pode, tentando obter com o andamento uma boa brisa de ar fresco.


Carlos tem 34 anos é divorciado, e vive na casa da sua irmã que está a trabalhar na França e só ocupa esta casa quando vem passar uns dias de férias a Portugal. Ele agora zela pela casa e a sua segurança. Tem-se ocupado das tarefas domésticas, mas gostava de ter alguém que o pudesse ajudar, de forma a ter mais tempo livre
Em apenas 10 minutos já se encontrava na frente da casa e portão automático se abria num compasso mecânico lento. Estacionou o carro na garagem e o portão iniciou o seu fecho. Subiu as escadas e foi em direcção a cozinha, onde se refrescou com um bom copo de sumo de laranja natural que retirou do frigorífico. Abriu a porta da acesso da cozinha as traseiras da casa e puxou por um cigarro, que calmante fumou apreciando a paisagem rural. Tranquilidade deste ambiente acompanhada do cântico dos pássaros acalmava o seu ser, fazendo-o por esquecer por breves as loucuras do dia de trabalho e o curso que tinha de concluir a noite. Apagou o cigarro e fechou a porta, encaminhou-se para a casa de banho e começou a retirar peça por peça a roupa suada de um dia quente de verão. Quando já se encontrava nu, debruçou-se sobre o lavatório e ficou a analisar aquele estranho do espelho. A imagem era de um homem solitário mergulhado nas trevas do passado e assim ficou durante uns minutos tentando entender o que se tinha corrido mal com aquele estanho que morava agora nos espelhos da casa. O peito de Carlos se apertou, e o seu coração gritava de agonia. Levou as mãos ao rosto escondendo as lagrimas que começavam a rolar sobre o rosto.
_ MERDA! Gritou furiosamente libertando-se do nó que apertava a sua garganta. _ Chega! Seu merda. Vais tomar banho e quando saíres da merda do banho serás um gajo diferente. Luta, porra, luta. Terminas o curso hoje e vais-te divertir um pouco. Se correr bem irás conhecer uma mulher que te fará companhia. Quem sabe algo mais.
Decidido, entrou num duche refrescante e purificador. As lagrimas do seu rosto são levadas pela água, lentamente o seu estado de espirito vai-se modificando com avanço do duche. Fechou a agua e ficou de olhos fechados e cabeça levantada, apreciando o cheiro do gel e a frescura que o envolvia. As gotas rolavam por todo o corpo e criavam pequenas vibrações agradáveis. Segundos depois pegou na toalha e enrolou a sua cintura e dirigiu-se para o quarto, onde ligou de seguida o portátil e sentou-se descontraído na cadeira em pele. Acendeu um cigarro e acendeu a um site de vídeos de BDSM. Ele não entendia bem o porquê, mas aqueles vídeos o excitavam imenso, mas nunca se atrevera a propor a ninguém algo assim, iriam fugir dele com certeza a sete pés com uma coisa daquelas.
Carlos, tinha alguns brinquedos que mandara vir de uma Sex Shop on-line, eram dildos vaginais e anais, uma venda e umas algemas metálicas. Tudo continuava novo sem usar. Faltava-lhe coragem para usar estes brinquedos com alguém. Vezes sem conta pensava que devia de ter algum problema e devia de ser internado. Por isso, deves em quando retirava-os da gaveta e comtempla-vos e a imaginava a utiliza-los numa submissa. Era algo tão intenso que muitas vezes os seus pensamentos doentios não o deixavam adormecer.
_ Tens de te tratar meu caro. Procura um médico.
Levantou-se, fechando o portátil e começou a vestir-se, tinha de estar em Águeda as 19 horas e ainda tinha meia hora de condução até lá.
_ Vamos terminar este curso e gozar o fim-de-semana. Pois, bem mereces. E vê lá se terminas o celibato de 10 meses, já é altura de te relacionares com alguém. Mas quem?
Tirou o carro da garagem e iniciou a viagem até Águeda ao som dos Linkin Park.
São 23 horas, e a noite está bastante agradável para quem se quiser aventurar dentro dela. E hoje seria o aventureiro, entraria na sua escuridão e só descansaria quando a luz vencesse a última sombra das trevas nocturnas.
Dei a chave do carro, abri o vidro do meu lado, e arranquei na aventura. Andava em velocidade média e apreciava o cheiro da noite. Um cheiro fresco com uma mistura de humidade e uma essência de pinheiros e eucaliptos. Um perfume realmente místico. Dirigia numa estrada estreita com pinhal de ambos os lados. A meu estomago estava algo ruidoso, pois ainda não tinha jantado nada. Mas também onde passo não existe nada onde possa parar para comer algo.
_ Tens à certeza que não queres umas ervas frescas. Resmungou Carlos com o seu estomago, dando uma gargalhada. Aguenta amigo logo irá aparecer algo para te acalmar.
Andou mais uns 4 Km, e viu um parque com muitos carros, e um estabelecimento enorme com um placar luminoso que dizia Danceteria Stop.
_ Mas que raio faz uma Danceteria numa zona de pinhais de todos os lados. Olha, amigo que dizes ir la, dar uma espreitadela e comer alguma coisa. O estomago roncou de novo. _ Ok, não se fala mais nisso, vamos lá.
Entrou no parque e rapidamente a pareceu um funcionário com um colete reflector que lhe fazia gesto para acompanhar, assim fez. O simpático homem indicou um lugar vago e Carlos rapidamente estacionou.
_ Obrigado.
O funcionário sorriu e afastou-se a procura de um novo carro. Carlos olhou os seus cabelos pretos rebeldes do vento que entrará pelo vidro do carro.
_ Estás lindo, pá.
Saiu do carro e dirigiu-se as escadas da entrada. Passavam por ele pessoas todas arranjadas e bem vestidas. Ele parou e olhou para o seu estilo desportivo. Sapatos pretos, calças de ganga e polo preto.
_ Bem, meu caro. Com estes trapinhos vais fazer sucesso aqui. Sem duvida nenhuma. Sorriu e avançou para o porteiro.
O porteiro era um homem corpulento de fato cinzento, com uma postura rígida de quem quer intimidar. Mas, Carlos tinha feito parte das Forças Especiais, e estava habituado aquela postura de " Eu sou muito mau."
Quando ficou em frente ao porteiro, este estendeu o braço com um cartão de entrada.
_ Boa noite. Disse o porteiro com um ar superior.
_ Não quero o cartão, quero falar consigo.
_ Falar comigo? O porteiro ficou baralhado.
_ Estava a passar por aqui, e reparei neste espaço. Por isso gostaria de dar uma vista de olhos, para ver se é do meu agrado.
_ Mas não vai ser possível.
_ A sério! Então faça o favor de chamar o Dono do estabelecimento. Quero falar com ele.
O porteiro confuso, comunicou para o interior. E rapidamente chegou um Senhor na casa dos cinquenta, bem vestido.
_ Pois sim.
_ Estava aqui a explicar ao seu porteiro, que estava de passagem e reparei no seu estabelecimento. Mas antes de aceitar o cartão gostaria de dar uma vista de olhos, para ver se gosto do ambiente.
_ Não costumamos a fazer isso. Mas, também não será por isso que não fica a conhecer o espaço. Por favor acompanhe-me, irei mostra-lhe a nossa Danceteria.
_ Muito obrigado.
O porteiro ficou com cara, quem é este tipo, quem pensa que é. Que lata.
_ O meu nome é José, dirijo esta Danceteria e se gostar do nosso espaço e resolva vir mais vezes aqui com os seus amigos, e precise de algo, o Sr. Engenheiro basta pedir a um funcionário para me chamar.
Engenheiro. Eu. Fiz um sorriso maroto de gozo, mas o Sr. José nem sequer reparou.
O espaço nas laterais tinha dois grandes balcões. Uma pista de dança e no palco, uma banda tocava música de baile. Existia um monte de mesas cheias de gente que rodeava a pista. O espaço era de facto agradável.
_ Gostou. Disse o Sr. José com sorriso simpático.
_ Gostei sim. Mas queria pedir-lhe mais uma coisa.
_ Por favor, peça.
_ Gostava de uma mesa só para mim. Estou esfomeado e precisava de relaxar. Foi um dia difícil para mim.
O Sr. José olhou em volta, existiam um monte de pessoas a espera de uma mesa livre. Mas decidido levantou a mão e chamou um segurança.
_ João, arranja uma mesa para o Sr. Engenheiro e um cartão de consumo. Depois pede a um empregado de mesa que o atenda rapidamente. Sr. Engenheiro, espero que se divirta e aprecie o nosso espaço. Cumprimentou-me e afastou-se para os seus afazeres.
_ Por favor, siga-me. E lá fui atrás do segurança pelo meio da multidão. Todos olhavam para mim, com um ar de curiosidade.
_ Está mesa é do seu agrado? Apontou o segurança.
_ Está óptima.
_ O empregado virá já para atender o seu pedido, e também lhe entregará o cartão de consumo.
_ Muito obrigado.
Carlos, sentou-se e olhou em redor de si. Todas as mesas estão completas com 2 a 4 pessoas por mesa, menos a minha. Então ser VIP é isto, confesso que gosto. Só não entendo porque o Sr. José achou que eu era Engenheiro, pela roupa não foi de certeza absoluta. Se calhar foi a minha postura. Ainda bem, porque no fundo facilitou-me a vida neste ambiente de diversão.
_ Boa a noite. O que vai desejar. Era um empregado de mesa, rigorosamente trajado para o efeito.
_ Boa noite. Vou querer uma tosta mista e um sumo de laranja natural. Depois, quando terminar vou desejar um café.
_ Sim Senhor. É só?
_ Por enquanto, sim. É só. Sorri.
_ Com sua licença. E afastou-se a num ritmo frenético para um dos balcões
Enquanto aguardava o seu pedido, ficou apreciar as danças de baile dos bailarinos de fim-de-semana. Bem, já não dançava faz um tempo, se fosse agora dançar ficaria conhecido como o pé grande. E ali ficou com um sorriso parvo estampado no rosto.
_ Com licença, Senhor. Era o empregado com o meu pedido. Colocou a tosta mista fumegante e copo grande de sumo laranja natural bem fresco sobre a mesa. _ Bom apetite.
_ Obrigado. E desapareceu rapidamente no meio da multidão.
Não demorou muito para terminar com a tosta e o sumo. Estava esganado de fome. E aquela refeição sobe-lhe as mil maravilhas. Encostou-se a cadeira numa posição mais relaxado e satisfeito. Pois, o seu estomago tinha recebido aquela refeição como fosse um bom bife de vaca suculento. Como as coisas sabem melhor, quando temos fome.
_O seu café, e o cartão. Posso recolher as restantes coisas, senhor?
Ele acenou com a cabeça concordando. E o empregado recolheu o prato e copo, ajeitou a toalha e puf, lá foi ele para meio da multidão.
_Este empregado de mesa na minha casa dava-me um jeitão. Pensou Carlos enquanto sacudia o pacote de açúcar. Despejou o conteúdo do pacote na totalidade, e mexeu o café com calma, enquanto olhava os dançarinos, e o quanto se divertiam. Alguns tinham dois pés esquerdos, mas ninguém se importava. Na pista existia diversão e não um concurso de dança. O que era bastante agradável de assistir.
A música da banda parou. E as pessoas saiam da pista em direcção as mesas com um ar divertido. A pista ficou completamente vazia, na mesa a minha frente sentaram-se duas mulheres. Ambas vestiam vestidos justos e olhavam para mim e sorriam, e trocavam palavras entre si.
Uma vestia um vestido preto, magra, cabelo curto e seios reduzidos. O sorriso era amarelado do tabaco e da falta de higiene oral, o seu olhar era vulgar e esfomeado por sexo. A sua colega, vestia um vestido vermelho, pele morena tinha uma pinta negra entre os olhos, magra, cabelo curto, e tinha uns seios volumosos. O seu olhar era tímido, e o seu sorriso era maravilhoso. Nota-se cuidado pela sua dentição. Parecia uma índia. E desejava ser o bravo aventureiro e tê-la nos meus braços naquele momento.
A banda agradeceu a presença de todos na Danceteria Stop, e anunciava os nomes dos presentes que faziam anos nesse dia, e que a Danceteria oferecia aos mesmos uma garrafa de champagne para festejarem. Em seguida cantaram os parabéns e no final choveram palmas por todo lado. A banda anunciou um pequeno intervalo, e que ficaríamos com o DJ Filipe e a sua música de discoteca até a volta dos mesmos. A música de discoteca invadiu o espaço acompanhada de luzes frenéticas por toda a pista.
A Índia pegou no telemóvel e levantou-se e atravessou a multidão e parou no hall de acesso as casas de banho. Pelo seus gestos, falava com alguém que parecia-lhe estar a chamar atenção sobre algo. A sua colega estava a minha frente fazendo-me olhinhos e bebendo pequenos goles de coca-cola. Estes olhares estavam a por Carlos enojado, por isso decidiu ir a casa de banho aliviar a bexiga. Levantou-se e percorreu a multidão e quando chegou ao hall olhou para está índia, sorriu e deu um olá, e desceu em direcção as escadas que davam acesso ao WC dos homens.
Quando regressou de novo ao hall, já ela não estava lá. Ficou ali alguns segundos atentar ver se a via na pista ou por ali perto. Mas nada. Foi quando reparou que encostado a um dos pilares estava um segurança muito interessado nos seus movimentos. Mas não ligou e dirigiu-se á sua mesa. Quando estava a meio do caminho, o DJ Filipe deu por terminado a música de discoteca, e Carlos foi apanhado num banho de multidão que saia da pista.
Já sentado na sua mesa, comtemplava agora as duas senhoras que estavam bastantes divertidas pelo sinal.
A banda regressara ao palco e começaram com uma música calma, e rapidamente um homem se aproximou da mesa delas e debruçou-se e disse algo. A amiga da Índia levantou-se e entrou com este homem na pista. Não demorou que um homem com aspecto rude e uma cerveja na mão se aproximasse dela, trocou umas palavras e ela acenou com a cabeça negativamente ao que ele lhe dissera. Mas ele estava com um pingo na asa, e sentou-se na mesa dela contra a sua vontade, ficando de costas viradas para mim. A Índia estava muito incomodada com a presença dele, e Carlos tinha de fazer alguma coisa para ajudar aquela pobre alma.
_ Já sei. Pensou ele.
Levantou-se e avançou para mesa dela, quando chegou ao pé dela, puxou a cadeira ao seu lado e sentou-se com um grande a vontade, de quem se conhece á muito tempo.
_ Olá, Amor. Quem é o teu amigo? E Carlos olhou para a cara deste homem com ar ameaçador
_Oh. Desculpe. Desculpe. Eu pensava que ela estava só. Disse o homem surpreendido com a presença de Carlos.
_Como reparou, o senhor enganou-se. Por isso, faça o favor de se retirar da nossa mesa o mais rápido possível. O tom de voz foi educado mas ameaçadora.
Em poucos segundos o homem sairá da mesa e foi engolido pela multidão.
_Obrigado pela sua presença. Este homem não se tocava que a sua presença não era bem-vinda nesta mesa. Disse com ar mais aliviado e sorridente.
_Posso ficar mais um pouco na sua mesa, se for do seu agrado.
_Por favor, fique!
_Ficarei, sim. Proveito para me apresentar. Sou o Carlos Brandão, e vivo em Esgueira. E está noite, é a minha primeira vez neste espaço.
_ Meu nome é Ana Miranda. Vivo numa zona rural próxima a Danceteria. Estou divorciada a uns meses, e a minha amiga insiste que venha com ela ao fim de semana. É uma forma de me tirar de casa.
_Prazer em te conhecer Ana. Inclinou-se e beijou-a no rosto. Ana, corou. _ Eu também estou divorciado, não tem sido tempos fáceis para mim. Por isso, acho que entendo na perfeição o que estás a passar neste momento. E trabalhas, Ana?
_Estou desempregada. Vivo num quarto na casa da minha amiga. Infelizmente está crise económica, também não tem ajudado nada. Preciso muito sair da casa dela, já estou a ser um peso para ela faz tempo. E cria muito me afastar deste meio pequeno onde vivo. Ficou com um rosto abatido e amargurado.
Ele colocou a mão em cima da mão dela, e fez pequenas caricias. Ela olhou nos olhos dele. Eram cor de avelã, e transmitiam paz e segurança.
_Ana, as coisas certamente vão melhorar. Tem fé. Agora, faz um acto de caridade e vem dançar este slow comigo. Aviso desde já que sou um péssimo bailarino e para ajudar, já não dou uns passos de dança aos anos.
_Aceito, com muito prazer. Ela levantou-se dirigindo-se para a pista, e ele seguia logo atrás dela. Andou uns passos na pista, virou-se e ficaram de frente um para outro. Sorrisos nervosos surgiram em ambos os rostos. Ana avançou e abraçou o pescoço dele, ele a agarrou e puxou-a contra o seu peito. E dançaram bem coladinhos. A tensão e excitação envolveram os dois.
As horas voaram, e amiga dela, já saíra faz tempo, poucos restavam na Danceteria. O Sr. José subiu ao palco, e agradeceu a presença de todos e deu como encerrada a noite.
_Ana, sei que são 3 da manhã, mas queria convida-la a tomar um copo a minha casa e continuar a conversa por mais um pouco?
_Aceito, o convite. Era certo que Ana queria mais que uma bebida.
-Então, vamos. Carlos levantou-se e ajudou-a com a cadeira, e foram juntos para o hall onde existia um balção onde se efectuavam os pagamentos.
O Sr. José estava lá, encostado ao balção muito intrigado a olhar para os dois. Ana colocou o cartão em cima do balção, e Carlos  pegou nele rapidamente, juntou ao seu e entregou ao funcionário.
_ Eu pago o meu. Disse Ana.
_ Nada disso. Deixe-me dar este pequeno mimo, pela companhia tão simpática, e de ter dado cor a está noite. Ana, corou e cedeu ao seu pedido.
Ele pagou, e ao passar por Sr. José este abordou.
_ O Sr. Engenheiro, gostou?
_ Muito. Certamente, voltarei e farei publicidade do local.
_ Olá Ana. Sr. José olhava para ela com um olhar protector.
_Olá. Baixando o olhar, em respeito.
_ Já se conheciam? Perguntou, cheio de curiosidade.
Olharam um para outro, sorrindo.
_Não. Mas, passei a conhecer. Disse Carlos.
_Ela é boa mocinha. Cuide dela Sr. Engenheiro e voltem sempre.
_ Boa noite. E obrigado pela simpatia.
_Ora essa, Sr. Engenheiro.
Passamos pelos seguranças e ele entregou os cartões. Um destes seguranças olhava para Ana com olhar diferente, de quem a conhece bem.
O parque de estacionamento está praticamente com uma meia dúzia de carros, a noite estava fresca. Carlos abraçou-a protegendo-a até ao carro com o seu calor. Abriu a porta do lado passageiro.
_ Faça favor de entrar.
Ela entrou e admirava o carro, enquanto ele dava a volta ao mesmo, entrando passando alguns segundos. Deu a chave, e o motor roncou.
_ És Engenheiro? Perguntou a Ana, meia constrangida.
_ Não sou. Nem sei donde ele foi buscar essa ideia.
_ Talvez por causa do carro.
_Quem sabe. E arrancou em velocidade moderada pela estrada escura em direcção a casa de dele. Ana estava enterrada no banco de cabedal do carro, e apreciava a viagem com tranquilidade.
Em apenas 20 minutos, chegara a casa e o portão se abriu. Estacionou o carro, e saiu rapidamente, fechando o portão e ligando as luzes da casa. Abriu a porta a Ana.
_ Seja bem-vinda ao meu doce lar.
_Obrigado. Linda casa que tens.
_ Acompanha-me por favor, Ana. A Casa não é minha, mas sim da minha irmã que me pediu para tomar conta, quando me divorciei. Subiram as escadas, e ele se dirigiu para a cozinha.
_ Um Café, Ana?
_ Aceito sim.
_ Assenta-te enquanto preparo as coisas.
Ela sentou-se e analisava a cozinha. Estava mobilada em madeira de carvalho e os tampos em granito. Estava equipada com todos os electrodomésticos e impecavelmente limpa e arrumada. O cheiro a café invadiu a cozinha, enquanto ele colocava na mesa um sortido de bolos e o açucareiro a sua frente, em seguida as xicaras com café surgiram sobre a mesa.
_ Por favor. Nada de cerimónias. Prove os bolos, deve estar com fome.
_ Estou sim. E pegou num bolo com satisfação, e ele acompanhou-a nesta investida.
_ A sua empregada, deu um bom jeito a casa. Nem parece que mora um homem sozinho aqui.
_ Ana. Eu não tenho empregada. Sou eu que cuido de tudo. Mas se quiser o lugar de empregada, o lugar é seu. Tem dois quartos vagos, pode ficar com um deles e cuidada da casa por mim. E se quiser pode começar já amanhã.
_ Carlos, olhe que eu aceito.
_ Se não tem receio em viver comigo na mesma casa. O lugar é seu.
_ Sabe, não sei como. Mas parece que já o conheço, e sinto segurança e paz ao seu lado.
_ Ainda bem. Então aceite o lugar. Faz me falta alguém que cuide da casa e me faça alguma companhia.
_ Aceito sim. Sorriu, satisfeita.
_ Tens um sorriso mágico, Ana. Adoro o teu sorriso. Aquelas palavras saíram da boca sem controlo. _ Desculpe, não sei que me dei. Não me leve a mal.
_ De modo nenhum. Deu um gole no café. Senti sinceridade nas suas palavras e nenhuma malicia.
_ Reparei que o Sr. José olhou para ti, com um olhar de carinho. É da tua família.
_ O Sr. José é uma pessoa que está a par da minha vida. Desde o divórcio, que comecei a frequentar o local, porque foi uma maneira que a minha amiga arranjou de eu sair de casa. E algumas vezes no Hall de entrada troquei umas palavras com o Sr. José, que tem um bom coração e tenta sempre que as minhas idas lá sejam tranquilas e divertidas. E também se preocupa com as minhas companhias, mas no bom sentido.
_ Compreendo perfeitamente. Também senti um certo carinho por ele, e notei que é uma pessoa simples e de bom coração.
_Isso é verdade.
_Posso correr o risco de parecer desconfiado, mas também reparei que um dos seguranças te olhava de uma forma muito suspeita. Terei alguma razão nesta minha observação.
_ É realmente muito observador. Esse segurança que estás a falar é o Miguel. Ele de facto gosta de mim e preocupasse bastante comigo. Mas para mim não passa de um amigo, mas sei que queria mais de mim. Quando passaste por mim no hall para casa de banho, eu estava a falar com ele. Lembraste que ao passar por mim me dissestes olá, e fiquei tão surpreendida que me esqueci da ligação e voltei para mesa para contar a minha amiga e nem desliguei o telefone. Ele não ficou muito satisfeito.
_Imagino. Eu no lugar dele também não ficava nada satisfeito.
Ana falou que era de Viana do Castelo e como conheceu o ex-marido, e que se casou muito nova com 17 anos e que veio viver para Aveiro, e como foi difícil para ela se adaptar a sua nova vida.
O tempo foi passando, e o dia estava a querer raiar, e o cansaço começava a tomar conta dos dois.
_Deves estar cansada. Vem comigo, vou-te mostrar o teu quarto.
Era um quarto lindo, também mobilado em madeira em tons de nogueira.
_ Espero que seja do teu agrado. Tens roupa e pijamas e alguns vestidos no roupeiro que são da minha irmã. Podes usar, amanhã tratamos de arranjar maneira de buscares as tuas coisas. Ok?
_ Ok. Estava de boca aberta.
_ Dorme bem. Qualquer coisa o meu quarto é aquele junto as escadas. Basta bater a porta.
Ele se aproximou dela e colocou-lhe as mãos na face, e beijou os seus lábios, com uma meiguice tão doce. Depois se afastou sorriu e despediu-se.
_ Bons sonhos.
_Obrigado. Boa noite.
A porta fechou-se atrás dele, e ela tombou na cama macia. Tudo parecia mágico. Como o Divino tivesse finalmente tomado uma nova direcção na sua vida. E finalmente pudesse desfrutar uma relação séria, com alguém que parecia serio e com uma maneira de ver a vida muito diferente daquilo que ela conhecera até agora.
Despiu-se, e optou por se deitar em cuecas, estava tão confortável e segura. Durante uns minutos esperou que ele entrasse por aquela porta e os seus corpos se uniam numa troca de caricias e fluidos.
Mas, Ana perdera a batalha contra o cansaço e ficara no mundo dos sonhos.


Nota: Este é um livro que estou a escrever, sobre BDSM e que conta uma historia sobre o BDSM e a vida real. Alguns factos são pessoais e verdadeiros.
Tenho noção que não tenho muito jeito para a escrita, por isto, para aqueles que me queiram ajudar na correcção do texto e em enriquecer a mensagem por favor entrem em contacto através bondage.portugal@gmail.com .
Por favor respeitem os meus direitos de autor. Obrigado.
Dom Bel

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